quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como um editor se mata?

Olá minna!! Espero que todos estejam bem!


Ultimamente tenho apenas desenhado muito. Fiz as páginas do especial First night do Vitral e acabei me divertindo muito com as cenas yaoi entre Daiji e Tsumi. O especial terá apenas 16 páginas que contam como foi a primeira vez dos personagens. É uma continuação das cenas do volume três. Pena que fiquei sem computador pra terminar a arte final. Mas amanhã o note ficará pronto e colocaremos tudo em dia.Também quero continuar o clip animado que tinha começado. A soni fez a música e eu ajudei com a letra, a música se chama Dreams come true. Os meninos dubladores já aceitaram cantar e estou ansiosa pra ver como vai ficar. Eu e a Soni tivemos que cantar a música para mostrar como é a melodia. Comprei um microfone e ficamos gravando a música. Ficou muito ruim mesmo, a gente não sabe cantar música popular...mas dá pros dubladores entenderem pelo menos. Ainda bem que eu não tenho que cantar nada. Deixo o trabalho para quem faz melhor mesmo.^^ Estou feliz com esse projeto, finalmente meus personagens terão vozes.

Quanto aos volumes de Vitral, o editor falou comigo no Face e disse que estava tendo problemas com as distribuidoras que são monopólio da Abril. Nisso, ele disse que queria fazer mil e duzentos exemplares e vender via internet antes de fazer um número suficiente pra poder ir pras bancas. O problema é que Vitral passaria a custar dez reais, pois tem mais páginas. Fazer menos exemplares na gráfica sobe o preço de custo. Ele também disse que não colocaria nem na Comix ( onde nós arrasamos de venda no volume 1, coisa que nunca aconteceu na história da HQM...) pois eles cobram 50% do preço de capa. A única vantagem seria que na loja da HQM não haveria frete para os leitores.

Bom, eu e a Soni ficamos pensando, mas chegamos a conclusao de que devíamos aceitar e aceitamos. Afinal não temos nada mesmo. No entanto o editor sumiu de novo e já faz mais de duas semanas que ele não me diz nada. Não sei se ele está correndo atrás ou simplesmente deixou o Futago de ladinho. Só o tempo dirá.

Eu e a Soni resolvemos deixar os problemas com a editora de lado e tocamos a terminar o projeto mesmo com todas as coisas indo de um jeito que não nos satisfaz. Não quero ser injusta com o Carlos e vou deixar ele a vontade pra fazer o que ele acha melhor pra ele e pra editora. Mas espero que ele tire pelo menos um minuto de seu dia pra pensar na gente e no que fazer. Afinal, as coisas não se resolvem sem que a gente queira que se resolvam. Não vou parar com o projeto por causa de problemas com grana e editora. Eu coloquei na minha cabeça que sou uma super mangaká e funcionou, estou desenhando vinte páginas por dia. Não é exagero não, eu tô mesmo fazendo isso. Vou terminar Vitral já que tenho todo o roteiro pronto e acho que meu erro foi ficar na moleza enquanto o senhor Carlos me deixava a ver navios. Não digo que fiquei coçando, mas fiquei esperando a reação dele pra agir também e isso atrasou meu trabalho. Infelizmente o projeto vai ficar sem o feedback dos leitores pra melhorar no volume seguinte, pois quando todos puderem ler ele vai estar todo desenhado e não haverá mudanças pela opinião das pessoas.

Eu e a Soni vimos que o Brasil em termos de publicação é muito diferente mesmo do Japão. Dãããã... Em um dos capítulos de Sekai Ichi Hatsukoi os personagens fazem uma reunião pra decidir quantas revistas de determinado autor eles vão fazer. Eles brigam pois o departamento de contas acha melhor fazer duzentas e cinquenta mil cópias enquanto os editores acham que devia ser feitas trezentas e cinquenta mil cópias e ainda assim ter que arcar com prejuízo caso tivessem que mandar rodar mais, pois no tempo que eles fazem isso perdem vendas. Antes sobrar do que faltar é o lema dos editores do seriado. Achei interessante isso. Na hora eu ri, pois nesse dia que assisti o episódio o editor da HQM queria fazer as mil cópias de Vitral e OPBS... Eu me sinto brigando por dois reais enquanto no japão se briga por milhões. É, acho que vai demorar um pouco pro Brasil chegar nesse patamar. As vezes eu penso se é normal ou se realmente pode melhorar. Tem gente que discute e até fica bravo com as editoras pra saber quanto se faz e quanto se vende de mangás no Brasil, pois as editoras não divulgam números de venda. Mas é só pensar em termos de Brasil, pra ir pra banca tem que ter acima de cinco mil cópias. Vende-se pelo menos metade disso. Ou seja, se vc acha que as ediotras estão mentindo que vendem muito e escondendo o ouro pode estar enganado. Acho que sucesso a gente não esconde, se eles vendessem umas cem mil cópias dos mangás eles estariam se gabando, isso eu garanto. A gente é tão pé de chulé em termos de edição de revistas que chega a ser patético. Talvez rodar as revistas na China saia mais barato que nas gráficas daqui. Acho que na hora que o Brasil cansar de ser patético e mendigo a gente muda, desculpe o desabafo gente, mas é assim.

A Quadrix aceitou o nosso projeto e eu me lembro que teríamos mil cópias também das quais trezentas a gente tinha que se virar pra vender. As outras cópias eles iam vender sabe se lá Deus como porque também não distribuiam. Vendo a tragédia eles mesmos cancelaram as edições de mangás sem avisar ninguém, claro. Só que essas paradas a gente só descobre depois que assina o contrato. A Editora Infinitum/oráculo que também nos queria, não tinha nem possibilidade de rodar fisicamente as revistas, seria e-book. Mas vcs não concordam que pra isso eu mesma poderia fazer? Não é arrogância minha, não. Afinal eu também tenho adobe acrobat em casa e posso vender na loja. Que vantagem eu teria já que eles não vão fazer propaganda e nem vender o e-book em lojas de e-book famosas? O pior é que nem diagramação eu teria, fora que existe um problema nessa editora que é a imposição de tema. Fatalmente tem que mudar sua obra pra encaixar no perfil da editora. Mas a gente não recebe mais por isso, aliás nem se fala em dinheiro. Quando a Soni falou em dinheiro o editor da Infinitum sumiu, nunca mais entrou em contato.

O Fonseca da NewPop me adicionou no Face e eu tentei falar com ele, adivinha...fui ignorada totalmente. Será que ele queria apenas amizade em comum pra poder fazer amizade com artistas famosos que tenho no meu face? Fiquei imaginando se seria isso já que ele não falou uma palavra comigo, nem com a Soni e nem com o Ju. Por que ele queria amizade se não me responde? Vai entender a cabeça de editor brasileiro. Ouvi falar que ele tem três empregos, af! Então ser editor é só passa tempo? Pior, esses empregos poderiam virar desculpa de falta de tempo pra falar com os artistas. Claro que eles têm muito tempo pros artistas internacionais, afinal ter um catálogo de celebridades ajuda bastante na hora de distribuir. Fora que dá pra pagar pau dizendo " eu publiquei Osamu Tesuka!Uhuuuuu Sou um deus!" Meu irmão chamou os ediotres brasileiros de editores cultulóides, só olham pro passado e não levam em conta que pra criar um sucesso é preciso trabalhar duro, duro, duro. Pegar pronto é fácil, o cara já é consagrado. Se Tesuka vender mil cópias ( coitado, acho que poderia vender mais), os editores não iam ficar muito chateados, afinal é o Deus do mangá e o povo é que é desculturado e não lê nada bom. Mas se Futago vende mil cópias é de se pensar em não investir mais. Eu posso estar completamente equivocada quanto a isso, mas com o tempo ainda descubro a verdade.^^Só peço a Deus que eles não pensem isso de mim, que desenho por passa tempo.rsrs

Eu entendo que nenhuma editora quer ter prejuízo e perder dinheiro numa publicação minha, mas eles também tinham que ver o meu lado. Enquanto eles nao gastam comigo e não perdem dinheiro, eu não ganho absolutamente nada. Nem um centavo sequer. Se for falar em prejuízo eu também estou tendo o maior que é não ganhar nada. Trabalhar por nada, não publicar nada. Sem produto não tem venda mesmo nem ruim nem boa. Eu já aceitei o mínimo, agora é saber se vou ter o mínimo nesse mercado cuidadoso demais.



Bom, vou indo que estou terminando Vitral.

Ah! Resposta da pergunta: Pula da pilha de seu encalhe! Isso em outros países, aqui ele se mata quando descobre que não dá pra distribuir!!!!

3 comentários:

Takamura disse...

Que texto excelente!

É realmente deprimente ver como os editores brasileiros se comportam. É muito legal em Sekai Ichi Hatsukoi, ver os editores batalhando por seus mangá-kas, pelas obras deles como se fossem suas.

Mesmo o Viral custando R$10 eu vou comprar... Quero a continuação! A idéia do e-book é ridícula de fato. Sou antiquado e prefiro a edição impressa!

Abraço linda e você já é uma mega manga-ka, pena que ainda não recebe o valor que merece.

Abraços!
Takamura do blog: Tatsu Estúdio

Aparecida disse...

Então quer dizer que ainda há esperança para os mangás?? Bom saber! Espero anciosamente, e sim QUE CUSTE 10, 20, EU COMPRAREI!

Boa sorte meninas, não desiste pq nós fã estamos esperando! (se bem que eu acho uma sacanagem essa demora, mas paciencia, e que depois que lançar o 2, q não se repita essa palhaçada toda!!!)
Beijos.

Antonio Alan_Mangaká disse...

Também já tentei falar com o Fonseca no Facebook mas ele me ignorou =/
Bem, pelo menos agora que a Newpop anunciou sua linha de mangás nacionais, ficou claro que o editor responsável por essa linha é o Fábio Sakuda, ex editor da (finada-n) Ação Magazine. Na época que o Sakuda era da AM ele respondia minhas mensagens pelo menos. Por hora, estou esperando os mangás nacionais da Newpop serem distribuídos pra eu tentar conversar com ele para que eu mande algum trabalho meu. :)