quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Construção de personagem!

Oi gente. Ontem eu terminei a capa do volume 4 de Vitral. Fiquei a semana toda lutando com meu computador. A Soni tirou férias forçadas e se rebelou. Só vai trabalhar quando chegar o PC novo dela. Mas só faltava um pouquinho pra eu terminar a capa e me adiantei mesmo tendo que formatar vinte vezes o PC. Af... que luta. Acabei!!!! Mas só vou colocar a capa aqui quando terminar a capa 5. Como eles vão sair de dois em dois, acho mais legal mostrar as duas juntas. Já devia estar pronto, mas...

Bom, vou aproveitar o post pra falar mais um pouco de meus personagens e como construí a personalidade deles. Não sei quanto aos colegas mangakás, mas crio a personalidade deles me baseando em pessoas reais. Observo muito as pessoas , como elas reagem a situações diversas e seu comportamento humano. Também me baseio em mim mesma. Imagino como eu reagiria se estivesse no lugar do personagem. Nem sempre eles podem agir como agiria por causa da personalidade deles. Dá até uma sensação de que o personagem tem vida própria e tá mandando na gente.
Mas o grande lance é que eles precisam agir como humanos acima de tudo, as vezes um pouco estereotipados porque é quadrinho, mas humanos. Parece óbvio, eles tem que agir como humanos... Na prática não é muito fácil de fazer.

Ser um ser humano significa ter sentimentos e agir humanamente no decorrer da história que criamos. O que faz a gente gostar do personagem ultrapassa traço, língua, lado que é desenhado e cultura. O que nos faz gostar de quadrinho de mangá mesmo que ele seja coreano, chinês ou japonês é justamente o lado humano. Afinal todos os povos sentem amor, ódio, raiva, inveja, piedade, etc da mesma forma. Nós sentimos igual e reagimos igual. Mas depende de cada personalidade essa reação. Tsumi, por exemplo não reage da mesma forma que Daiji em muitas situações. Mas ambos sentem o mesmo amor um pelo outro. Esse personagem vem de uma família de pais separados. Os pais são de países diferentes e Tsumi é mestiço. Quem leu sabe de onde ele veio. Eu tenho a experiência de pais separados, mas eles se separaram depois que eu já estava adulta. Então eu fiquei imaginando que impacto isso teria na cabeça de uma criança. A mãe dele foi embora quando Tsumi tinha cinco anos. Mas ela não pode levá-lo com ela.

O passado do personagem influencia muito em sua personalidade. Talvez eu não consiga passar tudo isso no meu mangá pois não é fácil. O pai de Tsumi é um médico bem sucedido, porém frustrado e isso gerou o conflito entre ele e Tsumi. Seu pai não acredita no sonho do filho de ser artista. Pra ele a vida se resume em trabalho e salário pra pagar as contas. Que coisa chata, né? Esse tipo de pai tem bastante no mundo. Eles cobram do filho coisas que nem eles mesmos foram capazes de fazer. Ser mais dedicado nos estudos, ser mais trabalhador e ser mais bem sucedido porque julga que a vida do filho foi mais fácil que a dele. É incrível como a cria sempre perde as oportunidades que a vida oferece. Ser jovem é perigoso pra esses pais.

Nisso fui montando a carga psicológica de Tsumi. Mas ele é muito determinado e sente que nasceu pra música. No entanto, por que música? Por que escolhi isso ao invés de ator, ou modelo? Bom, não foi por causa de Gravitation...Foi porque eu gosto de música e acho os bastidores desse universo muito bacana. Eu utilizei as duas polaridades desse universo, o músico iniciante e o já mega-astro raro de conhecer pessoalmente. Não tem nada muito novo nisso e uso alguns clichês desse tipo de história. Eu pesquisei muito como uma pessoa se torna um mega-astro, pois ser um artista tentando eu sei como é. ^^

O interessante é que nessa pesquisa pra construir a personalidade de Muyami eu descobri que na verdade, ser um mega-astro tem um caminho ilógico e misterioso. Entretanto, o poder pessoal de alguém assim que faz tudo a sua volta girar é surpreendente. Só notei que os fãs agem como se estivessem apaixonados, seja pela pessoa ou pela arte dela. É aquilo que acontece com pessoas tipo Neymar. Mesmo a torcida contrária ama ele. rsrs É um semi-deus pra muitos.
Na música não é diferente. A pessoa seduz milhares mesmo não sendo bonita e nem boa cantora. É um mistério do poder pessoal dela. A pessoa nem precisa ter bom caráter pra ser adorada. E assim é Muyami, um cara bipolar, mas adorado. Daiji também sofre com esse magnetismo do pai. Ao mesmo tempo que ele odeia ele ama Muyami. Tsumi é fã e até se julga um fã especial que também é músico. Esse é o lado ingênuo de Tsumi que comprou a ideia de que talento traz tudo. Infelizmente ele vai descobrir que não é só isso. O pai dele o desmotiva comparando-o com Muyami. Diz que Tsumi não é belo suficiente, nem canta como ele e é caipira. Tsumi por sua vez fica triste, mas quer provar o contrário.
Pensei muito numa amiga minha que passou por isso. Os familiares diziam que ser cantora era sonho e isso só dá certo pra quem tem família de músico, pais famosos que trabalham no meio. Aquela babaquice toda... Infelizmente conseguiram colocar na cabeça dela que aquilo não era pra ela. A mãe dela morreu e nunca ouviu a filha cantar. Foi assim com ela. Então usei isso, o pai de Tsumi só ouviu o filho cantar uma única vez quando ele era bem pequeno, depois disso nunca mais. Tsumi cresceu, se aprimorou e o pai nunca quis ouvi-lo de novo por motivos que estarão no mangá pra todos entenderem.

No caso de Daiji o universo da música faz parte da vida dele desde de criança, mas ele também tem uma família desestruturada pois sua mãe morreu. Muyami faz da vida de Daiji um inferno e por isso ele odeia o meio artístico. Só muda de opinião depois que conhece Tsumi, Higa, Mirai e Tadashi. Bom, Tadashi foi inspirado mesmo numa pessoa real. Mas as atitudes dele mudam pra pior com o tempo. Ele não sabe lidar com as frustrações. Ele faz tudo que um músico não deve fazer, mas alguns fazem que é tomar droga e bebidas. O Higa eu me inspirei em mim mesma, principalmente na parte do problema cardíaco. Eu já me vi enrolada com isso e foi uma fase muito ruim. No mangá ele tá mil vezes pior do que eu estava, logicamente. Nas horas que a gente pensa que vai morrer a cabeça da gente muda. Com o Higa foi assim, ele sempre acreditou que ganhar dinheiro era tudo, mas depois do primeiro ataque ele resolveu viver a vida que queria e realizar seu sonho de ser músico. Por isso começou a carreia tardiamente. O Mirai é um faxineiro que sonha com a fama pra sair da pobreza. Quem já não pensou assim levanta a mão! Por mais amor que temos pela arte uma hora a gente acaba desejando ganhar dinheiro com isso e ganhar muito dinheiro. É nosso lado vaidoso que não quer ser simplesmente artista. Os amigos não sabem desse lado dele, pois ele diz que nasceu artista e isso a gente não escolhe. Higa sabe que ele é pobre, mas não imagina o quanto e que ele tem dois irmãos pequenos pra criar. Ele saiu de casa com os irmãos por causa de um problema muito sério com seus pais.


Bom, é isso. Depois falo mais dos outros e do espectro e de como construí a ambientalização e explico porque Vitral não se passa no Brasil. Agradeço a todos que estão me dando uma chance e lendo o meu mangá sem preconceito. Eu queria que algumas pessoas entendessem que criar um BL não é só pensar na parte sexual. O fato de ser BL é apenas uma das facetas da personalidade de Tsumi e Daiji. Se eles fossem héteros muita coisa na minha história teria que desaparecer completamente e isso descaracterizaria as minhas ideias. E também tem a ver com o fato de eu gostar desse gênero de mangá. Eu gosto da forma como os personagens BLs são intensos. Não digo profundos, mas intensos emocionalmente. É um mundo pra explorar.

O Especial do Vitral mostra um pouco mais da personalidade de Daiji. É uma coisa que eu não ia mostrar, apenas mencionar, mas gostei de mostrar esse Daiji, pois ele foi criado assim. E tem mais coisas dele que vai aparecer no decorrer do mangá.
Muita coisa eu e a Soni debatemos sobre Vitral quando foi criado e até agora acontece. O mais misterioso de todos os personagens é o Espectro que não é um ser humano. Ele foi difícil de bolar porque ele não existia no conto e ele não tem uma base humana pra eu criar a personalidade dele. Por isso vou deixar pra falar dele num post a parte.

Beijos a todos!


2 comentários:

Washizuke disse...

Nossa, concordo plenamente! A personalidade é essencial para o desenvolvimento da história, até influencia na aparência dos personagens as vezes.

Adoro histórias com personagens intensos^^ Como você disse, eles são humanos, então precisam agir como humanos, com todos os sentimentos e imperfeições. O mangá é um estilo que valoriza muito isso, acho que por isso que muitos se identificam com os personagens.

debora jardim disse...

é mesmo! adorei esse post, na verdade adorei todos, eu tambem sigo o blog da sony, pedí pra ela me adc no face. vc póde tbm?
eu sempre acompanho o trabalho de vocês e adóro! eu to criando um mangá e quería mostra. tenho um blóg que acabou de ser criado, da pra vc seguir? se não te amo mesmo assim.
ah! e adorei muitoo!!! a capa que vc colocou em vitral. super fofa :3